Ícone da televisão brasileira, artista marcou gerações com mais de 60 personagens e dezenas de prêmios. Velório acontece na capital paulista nesta terça (18).

A dramaturgia brasileira perdeu uma de suas maiores estrelas. A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo. A informação do falecimento foi confirmada na manhã desta terça-feira (18) através de uma nota publicada no perfil oficial da artista no Instagram.

O velório foi aberto ao público e amigos, iniciando às 8h e seguindo até as 14h na Funeral Home, localizada na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro Bela Vista, região central da capital paulista.

Uma vida dedicada à arte

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, a veterana completaria 99 anos no próximo mês de setembro. Ao longo de sua extensa e brilhante carreira, Laura Cardoso se consolidou como um dos pilares da atuação no Brasil.

Apenas na televisão, ela deu vida a mais de 60 personagens memoráveis. Entre seus papéis mais inesquecíveis estão a dona Izaura, no clássico Mulheres de Areia; Guiomar, no sucesso espírita A Viagem; e Sinhana Coragem, na primeira versão de Irmãos Coragem. Suas últimas participações nas telinhas, já aos 90 anos, mostraram sua vitalidade impressionante: interpretou dona Sinhá, em Sol Nascente, e Caetana de Souza, em O Outro Lado do Paraíso.

Trajetória de prêmios no cinema, TV e teatro

O talento inegável de Laura Cardoso foi amplamente reconhecido pela crítica especializada, rendendo-lhe um acervo invejável de troféus.

  • Grande Otelo: Venceu três vezes como atriz coadjuvante por suas atuações no cinema em Copacabana (2002), O Outro Lado da Rua (2005) e De Onde Eu Te Vejo (2017).
  • Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte): Foi laureada cinco vezes. Na TV, como Melhor Atriz por Os Apóstolos de Judas (1977) e Irmãos Coragem (1995). No cinema, por Através da Janela (2001). No teatro, venceu por Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu (1990) e Vereda da Salvação (1993).
  • Troféu Imprensa: Premiada duas vezes como Melhor Atriz por A Noite Eterna (1963) e Moulin Rouge, a Vida de Tolouse-Lautrec (1964).
  • Homenagens especiais: Pelo conjunto de sua obra formidável, recebeu o prêmio Guarani Honorário (2021) e o prestigiado Troféu Oscarito, no Festival de Gramado (2023).

Homenagens de amigos e colegas de profissão

Nas redes sociais, a notícia gerou grande comoção. Diversos nomes da classe artística lamentaram a perda e celebraram o legado da veterana.

O ator e diretor Miguel Falabella publicou uma foto ao lado de Laura com uma mensagem emocionada: “Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno”.

Companheiro de décadas na TV, o ator Ary Fontoura despediu-se chamando a atriz de “amiga querida” e “companheira de tantas caminhadas”. Ele finalizou: “Essa luz, esse sorriso e esse brilho jamais serão esquecidas.”

A atriz e cantora Zezé Motta também prestou sua homenagem, ressaltando a importância de Laura para a cultura nacional, afirmando que a arte se despede “de uma de suas maiores damas” e concluindo que “Laura foi grande, foi inteira, foi eterna”.